Flamengo e Palmeiras sentem o peso da verdadeira Libertadores: raça, altitude e pressão

As semifinais da Libertadores colocaram, em lados opostos da chave, os dois gigantes do futebol brasileiro e sul-americano: Flamengo e Palmeiras.
Dois clubes com elencos milionários, recheados de estrelas, estrutura europeia e histórico recente de conquistas. À primeira vista, a conclusão era quase unânime: era questão de tempo até vermos os dois decidindo mais uma final continental. Afinal, do outro lado estavam Racing (ARG) e LDU (EQU), times tradicionais, sim, mas sem o mesmo poderio técnico e financeiro.
Mas a bola rolou, e a Libertadores mostrou que segue viva em sua essência: sangue nos olhos, pressão na arquibancada e imprevisibilidade no campo.Flamengo sofre contra a garra argentinaNo duelo entre Flamengo x Racing, a vitória rubro-negra por 1×0 no Maracanã pareceu magra diante das expectativas.
Em campo, os argentinos compensaram a diferença técnica com entrega, intensidade e um futebol coletivo que encurtou espaços e gerou tensão. O Flamengo, com sua constelação de estrelas, enfrentou dificuldade para construir jogadas e viu o Racing manter-se vivo no confronto.
Na volta, em El Cilindro, o clima promete ser de caldeirão: arquibancada pulsante, pressão total, e um time argentino sedento por virar o placar.
Fica o alerta para o Flamengo: não dá pra jogar em piloto automático. Libertadores se joga com alma.Altitude impõe drama ao Palmeiras contra a LDU, se no Maracanã o problema foi a intensidade adversária, em Quito o Palmeiras esbarrou num inimigo invisível, mas implacável: a altitude.
A LDU, bem treinada pelo brasileiro Tiago Nunes, não perdoou a lentidão do time paulista no primeiro tempo: 3×0 antes do intervalo.
No segundo tempo, o Palmeiras respirou, reorganizou-se e segurou o resultado. Agora, aposta na força do Allianz Parque para buscar o impossível, ou melhor, o improvável. Como já cantou a presidente Leila Pereira, o Palmeiras é o “time da virada”. E vai precisar honrar esse título se quiser alcançar mais uma final.
Libertadores raiz: drama, suor e viradas impossíveisSe os brasileiros vão confirmar o favoritismo ou não, é impossível prever.O que está claro é que esta Libertadores lembra os bons e velhos tempos: confronto pegado, pressão insana e resultados imprevisíveis.
Na próxima semana, conheceremos os finalistas. Mas uma coisa já dá pra cravar: essa edição tem, sim, a cara da Libertadores.
—Por Álvaro Calazans
