DISCURSO DE MÁRCIO MACEDO GERA DESCONFORTO E COLOCA FÁBIO MITIDIERI NO CENTRO DE UMA NOVA TENSÃO POLÍTICA

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O clima político esquentou na última sexta-feira, durante a 61ª edição do programa “Sergipe é Aqui”, realizada em Cristinápolis. O episódio envolveu o ex-ministro Márcio Macedo e acabou criando um constrangimento que repercutiu muito além do evento.

Logo nas primeiras horas da manhã, Márcio concedeu uma entrevista exclusiva ao Jornal da Fan, onde confirmou — pela primeira vez — que será candidato a deputado federal nas eleições de 2026. No bate-papo, ele já deixava no ar o sinal que reforçaria mais tarde: a defesa de uma reaproximação com o governador Fábio Mitidieri e a possibilidade de uma nova composição entre o PT e o agrupamento governista.

Depois de cumprir agenda em Salgado, o ex-ministro seguiu para Cristinápolis e discursou no evento. O problema é que, segundo aliados, Márcio “passou do ponto”. A fala foi considerada a mais explicitamente eleitoral de todas as edições do programa — que, embora tenha impacto político, é um evento oficial custeado com recursos públicos.A crítica central dos bastidores é que Márcio teria colocado Fábio Mitidieri em uma situação delicada ao afirmar publicamente que o governador poderia vir a integrar o palanque nacional de Lula e que o PT deveria apoiar sua reeleição. A intenção parecia ser de articulação, mas a forma e o contexto criaram ruídos indesejados.

O gesto foi interpretado como uma pressão pública sobre o governador, que já havia sinalizado, internamente, que não pretende antecipar discussões sobre seu posicionamento nacional. Mitidieri sabe que o apoio a Lula terá alto custo político em Sergipe e pode gerar um efeito dominó no seu grupo: afastar aliados estratégicos, como Alessandro Vieira e André Moura, ambos peças-chave no seu palanque para 2026.

Fontes do PT apontam que Lula tem expectativas claras: apoio a Márcio Macedo para deputado federal e a Rogério Carvalho para o Senado. Uma composição que exigiria movimentos profundos e que poderiam tensionar a base governista.

A repercussão foi imediata. O discurso abriu especulações sobre um possível rompimento dentro do bloco governista e ainda deu munição para a oposição, que agora avalia acionar o Ministério Público Federal — órgão que fiscaliza possíveis infrações eleitorais em eventos oficiais.O ex-ministro justificou que estava emocionado com o retorno aos palanques sergipanos. Mas, na prática, sua declaração colocou o governador em uma situação desconfortável e adicionou mais um elemento de pressão ao já complexo xadrez político de 2026.

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