PGR PEDE CONDENAÇÃO DE BOSCO COSTA POR ESQUEMA DE VENDA DE EMENDAS PARLAMENTARES

A Procuradoria-Geral da República (PGR) encaminhou ao ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), o pedido de condenação do suplente sergipano Bosco Costa (PL-SE) e dos deputados federais Josimar Maranhãozinho (PL-MA) e Pastor Gil (PL-MA). Os três são acusados de integrar um esquema de comercialização de emendas parlamentares destinado a municípios do Maranhão.
O documento, assinado pelo vice-procurador-geral da República, Hindemburgo Chateaubriand, foi enviado nesta segunda-feira (10) e enquadra os parlamentares por organização criminosa e corrupção passiva. Outros quatro réus também foram incluídos no pedido: Thalles Andrade Costa, Antônio José Silva Rocha, Adones Nunes Martins e Abraão Nunes Martins Neto.
Segundo a PGR, o grupo direcionava emendas parlamentares em troca do pagamento de propina. A Polícia Federal identificou, por meio de interceptações de mensagens, que o então prefeito de São José do Ribamar (MA), Eudes Ribeiro, teria sido pressionado a pagar R$ 1,66 milhão para garantir o repasse de uma emenda de aproximadamente R$ 7 milhões. Após recusar participar do esquema, o gestor teria sido alvo de ataques em um site local com o objetivo de desgastá-lo politicamente
O maior repasse — R$ 4,1 milhões — foi indicado por Bosco Costa, mesmo tendo sua base eleitoral em Sergipe. Josimar Maranhãozinho e Pastor Gil destinaram pouco mais de R$ 1 milhão cada. A PF aponta ainda que o lobista José Batista Magalhães atuava como articulador das negociações, enquanto a cobrança direta da propina teria sido feita por Josival Cavalcanti, conhecido como Pacovan.
O inquérito também cita movimentações financeiras envolvendo contas bancárias da esposa de Bosco Costa. Um comprovante de dezembro de 2019 mostra o depósito de R$ 40 mil em espécie, reforçando os indícios do esquema. A PGR afirma que as provas incluem mensagens de WhatsApp, depoimentos e documentos obtidos em buscas autorizadas judicialmente.
O suposto esquema teria funcionado até dezembro de 2021. A Procuradoria também pediu a condenação de Thalles Costa, filho de Bosco, por participação no grupo criminoso. Além das penas previstas em lei, o órgão solicita a perda de função pública dos envolvidos e o pagamento de indenização por danos morais coletivos.
O caso tramita na Primeira Turma do STF. As defesas ainda apresentarão suas alegações finais e sustentam que a denúncia é improcedente e carece de provas suficientes.
