HISTÓRIA, RESISTÊNCIA E CULTURA: LARANJEIRAS VIVE MAIS UM ANO DE LAMBE-SUJOS E CABOCLINHOS

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Neste domingo (12), as ladeiras e ruas do centro histórico de Laranjeiras foram tomadas por cores, cantos e uma energia contagiante. A tradicional encenação dos Lambe-Sujos e Caboclinhos reuniu moradores, turistas e grupos culturais para vivenciar uma das mais antigas manifestações populares de Sergipe, uma tradição que atravessa gerações há mais de um século.

Desde cedo, a cidade estava em clima de festa. Moradores e visitantes se prepararam para o grande dia, pintando os corpos, vestindo trajes característicos e se reunindo nos pontos históricos para acompanhar cada momento. A movimentação intensa tomou conta das ruas por volta do fim da manhã, quando os grupos começaram a percorrer a cidade, atraindo uma multidão emocionada e envolvida com a celebração.

A manifestação é uma verdadeira aula viva de história. Os Lambe-Sujos, com os corpos pintados de preto, representam os negros escravizados em sua luta por liberdade. Já os Caboclinhos, adornados com cocares e pinturas coloridas, simbolizam os indígenas aliados aos senhores de engenho. O confronto encenado entre os dois grupos dramatiza, de forma simbólica, a resistência, a astúcia e as estratégias usadas pelos escravizados para escapar dos capitães do mato.

O som dos tambores e dos cânticos tradicionais ecoou por toda a cidade, transformando a encenação em um espetáculo de teatro espontâneo a céu aberto, um dos maiores do país. O público acompanhou cada detalhe, vibrando com as coreografias e interagindo com os personagens, tornando o evento ainda mais envolvente.

Além da apresentação principal, a festa contou com cortejos culturais, batuques, homenagens e visitas aos espaços históricos, fortalecendo o turismo e movimentando a economia local. O prefeito Juca de Bala também acompanhou o evento, reforçando o apoio da gestão municipal à preservação das tradições culturais que fazem parte da identidade de Laranjeiras.

A presença de visitantes de várias regiões do estado e do país reafirmou mais uma vez a importância da celebração para o calendário cultural sergipano. Mais do que uma festa, os Lambe-Sujos e Caboclinhos representam memória, resistência e identidade. A cada edição, a tradição se renova e emociona o público, reafirmando Laranjeiras como a verdadeira capital da cultura sergipana.

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